Quando criança, a escola não deixa de ser uma diversão. A ansiedade constante pela sexta-feira, era o dia em que nós podíamos levar brinquedos pra escola e tínhamos mais tempo pra nos divertirmos. Quando chegavam as férias, a gente passava os dias brincando de amarelinha e as noites comendo marshmallows na fogueira contando histórias de terror. A viagem com os melhores pais do mundo pro interior, visitar a família, ver gente diferente, tomar sorvete o dia todo, e ao voltar ainda passar tardes e tardes na praia, logo em frente, com medo de se molhar na água geladinha, claro, até cairmos de vez, e até chorar pra ir embora depois, mas não antes de uma tentativa quase sempre mal sucedida de construir um castelo e fincar uma folhinha como comemoração no final. A gente cresce. Um jovem? viajar com os pais? nem em sonho! Chega a fase em que queremos estar mais fora do que dentro de casa, e de preferência, sem ninguém para vigiar. E então começam as viagens com o pessoal da escola, parques e acampamentos, cheias de zoeiras, e também aquelas festas escondidas, ou baladas até altas horas da matina, reunião da turma pra beber e ver o jogo, ou só uma noite na casa das amigas, vendo um filme e comentando sobre os garotos. Isso sim são belas férias! A gente cresce. O mundo fica chato. Na fase adulta, as vezes não existem férias, e quando existem, são um alívio, um instante, um silêncio, isso tudo são dádivas pra quem passa a maior parte do ano se esforçando pra manter marido e filhos. E aí a situação inverte, é você quem viaja com teu filho, é você quem leva ele na praia e o ensina a nadar e montar castelinhos, é você quem paga o sorvete. Até chegar a aposentadoria, e a vida virar férias, mas você, ainda assim paga o sorvete. Até que um dia, mais uma vez, a história se inverte. O seu filho vai ser um bom empresário, ou um advogado bem cotado, e ele vai passar tudo que você ensinou a ele para os seus netos, e talvez você não esteja presente pra viver tudo isso. Você estará para sempre de férias.